Demências: Tipos e Causas

tags: Alzheimer, causas de problemas de memória, tratamento, demências, transtorno amnéstico, declínio cognitivo subjetivo, demência fronto-temporal.

 Por Maramélia Miranda (Atualizado em Setembro/2026)

Entenda os principais tipos de demência, como a Doença de Alzheimer e a Demência Vascular, além de identificar quais quadros possuem tratamento ou chance de reversão.

O que é Demência e Quais São Suas Principais Causas?

A demência não é uma doença única, mas um termo genérico para um conjunto de sintomas que afetam a memória, o raciocínio, a linguagem e a capacidade de realizar tarefas do dia a dia.

A causa mais comum de demência é a Doença de Alzheimer. Ela pertence ao grupo das demências neurodegenerativas, caracterizadas pela destruição gradual das células cerebrais devido ao acúmulo de proteínas anômalas (como a proteína beta-amiloide e a proteína Tau). Por ser um processo degenerativo, os sintomas progridem ao longo do tempo.

Além do Alzheimer, existem outros quadros frequentes:

  • Demência Vascular: Causada por doenças cerebrovasculares e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) repetidos ou estratégicos.

  • Demência Mista: Ocorrência simultânea de duas ou mais causas, sendo a combinação entre Doença de Alzheimer e Demência Vascular a apresentação mais frequente.

Demências Progressivas e Degenerativas

As demências degenerativas surgem de forma gradual e avançam continuamente. Atualmente não possuem cura definitiva, mas contam com tratamentos capazes de desacelerar a evolução dos sintomas e melhorar a qualidade de vida.

  • Demência por Doença de Alzheimer. É a causa mais comum de demência. Geralmente aparece em pessoas após os 60-70 anos. Casos em mais jovens associam-se primariamente a tendência genética. A causa já está bem conhecida, e decorre de deposição de proteínas Tau ou beta-amilóide nos neurônios, que causam a disfunção destas células, e consequentemente os sintomas de demência. Não há tratamento curativo até hoje. Apenas condutas e remédios que minimizam e retardam o surgimento e evolução dos sintomas.
  • Demência por Doença de Lewy. Responde por cerca de 10% dos casos. Trata-se de uma condição progressiva caracterizada por flutuações cognitivas (dias de lucidez alternados com períodos de confusão), alucinações visuais e sintomas motores semelhantes ao Parkinsonismo (como tremores e rigidez muscular).
  • Demência Frontotemporal. Costuma manifestar-se mais precocemente, entre os 50 e 70 anos. Acomete os lobos frontal e temporal do cérebro, provocando sintomas marcantes de alterações de personalidade, comportamento e linguagem, além de eventuais distúrbios do movimento.
  • Demência pela Doença de Parkinson. Uma parcela das pessoas com diagnóstico de Doença de Parkinson podem desenvolver declínio cognitivo significativo nas fases mais avançadas da enfermidade.

 

Demências potencialmente tratáveis ou Reversíveis

Algumas formas de demência podem ter sua progressão interrompida ou até mesmo apresentar reversão parcial ou total dos sintomas quando diagnosticadas e tratadas precocemente.

  • Demência vascular. O segundo tipo mais frequente de demência, cujos sintomas podem estacionar se os fatores de risco para o AVC (como hipertensão e diabetes) forem rigorosamente controlados, interrompendo a ocorrência de novas lesões vasculares cerebrais.
  • Demência devido a doenças imunológicas, metabólicas ou infecciosas. Doenças como meningites, encefalites, lupus eritematoso, hipotireoidismo, esclerose múltipla e Doença de Lyme (presente nos EUA) podem provocar declínio cognitivo. Uma vez tratadas as condições, os sintomas podem reverter ou pelo menos estacionar.
  • Demência por problemas nutricionais. O uso abusivo de álcool e a deficiência severa de vitaminas do complexo B (como B12 e B1/tiamina) podem desencadear quadros demenciais. A reposição vitamínica adequada frequentemente restaura a função cognitiva.
  • Demência por Hematomas subdurais. Em idosos, pequenos traumas cranianos ou quedas ao solo podem causar um sangramento lento no espaço entre o crânio e o cérebro. Os sintomas mimetizam a Doença de Alzheimer, mas o tratamento cirúrgico para drenagem do hematoma costuma reverter o déficit.
  • Demência por Hidrocefalia de pressão normal (HPN). Este tipo de demência é potencialmente tratado com cirurgia, colocando-se uma válvula na cabeça. +++ Leia mais AQUI. Caracterizada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano nos ventrículos cerebrais. O diagnóstico por tomografia ou ressonância magnética permite a indicação cirúrgica para implante de válvula (derivação), com possibilidade de estabilização e melhora da memória e da marcha.
  • Demência por traumatismos cranianos. Traumas graves na cabeça podem deixar sequelas cognitivas e executivas. Geralmente, esses quadros não são progressivos e respondem bem à reabilitação neuropsicológica.
  • Sintomas de demência por quadro de depressão. Sim. É sério. Quadros depressivos graves em idosos podem simular perfeitamente a Doença de Alzheimer. É fundamental identificar gatilhos recentes (como luto ou estresse intenso). Nesses casos, o tratamento com antidepressivos funciona como teste terapêutico, restabelecendo a função cognitiva.

***

É importante explicar todos estes tipos de demência, porque alguns tipos podem ser revertidos, e para o Alzheimer, as novas drogas antiamilóide só estão indicadas na demência por Alzheimer, e dentro deste grupo, apenas nos casos de Alzheimer em estágios iniciais.