Microangiopatia cerebral

Por Maramélia Miranda **. Atualizado em Nov 24. tags: rarefação mielínica, gliose cerebral, angiopatia cerebral, microangiopatia cerebral, Fasekas na ressonância. 

 

 

O que é microangiopatia?

Pode ser uma alteração benigna, do envelhecimento, por alguma doença oculta… Ou pode ser um AVC isquêmico… Pode ser uma doença silenciosa de múltiplos pequenos AVCs, isquemias cerebrals. Tudo depende.

Este termo pode aparecer em algum resultado de exame de imagem, como uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética do crânio. Muitas vezes descrito nos laudos de exames como gliose, rarefação mielínica ou angiopatia, trata-se de um termo médico usado para descrever quando alguns pontos pequenos do cérebro, geralmente em áreas mais profundas, recebem pouco oxigênio, glicose e irrigação sanguínea, levando à morte dos neurônios nestes pontos – veja mais sobre Gliose – AQUI.

+++ Veja também: Gliose cerebral

+++ Veja também: AVC Isquêmico

+++ Veja também: Alzheimer: Reconhecendo os seus sintomas

A aparência da microangiopatia no exame de tomografia é de uma área (ou áreas) mais escuras.

Na ressonância magnética, nas sequências T2, a microangiopatia ou focos de gliose aparecem como manchinhas brancas bem pequenas, contrastando com o cérebro normal (de cor cinza) – figura AQUI.

fasekas

Imagens de ressonância magnética do crânio, de 3 diferentes pacientes: as manchas brancas, no meio do tecido cerebral mais acinzentado, são o que chamamos de gliose. Na figura, vemos graus de gliose leve (poucos focos), moderada (figura do meio) e mais grave, com focos de gliose confluentes.

Algumas doenças crônicas frequentes na população predispõem os indivíduos a ter maior ou menor número destes pontinhos brancos no cérebro, como:

  • hipertensão arterial (pressão alta) crônica, principalmente quando não bem controlada
  • diabetes
  • aumento de colesterol ou triglicérides
  • síndrome da apneia do sono
  • doenças cardíacas, coração dilatado
  • infarto do miocárdio prévio
  • arritmias cardíacas, como fibrilação atrial
  • doença renal crônica
  • hábitos de vida ruins, como fumar, etilismo diário e sedentarismo
  • envelhecimento, idade mais avançada

O envelhecimento normal também pode evoluir com áreas de microangiopatia no cérebro. Não tem jeito. Faz parte.

As lesões de microangiopatia cerebral, em geral, se tênues, pequenas, iniciais, esparsas, não dão nenhum sintoma.

Entretanto, se houver progressão, aumento destas lesões, ou sua confluência – ou seja, ao longo de anos as lesões começando a “se juntar” no cérebro – como por exemplo, em micro-isquemias cerebrais silenciosas, o indivíduo afetado pode ter problemas progressivos de memória, linguagem e cognição, até casos extremos que podem desenvolver demência.

Nestes casos, as manchinhas podem ter sido AVCs isquêmicos antigos, que foram se juntando e formando as áreas brancas…

Geralmente estes casos mais sérios, com maiores manchinhas, são as pessoas que não se cuidam, não vão ou não tem acesso a médicos, medicamentos, não controlam seus problemas de saúde crônicos, ou continuam a ter hábitos de vida ruins, como o sedentarismo, fumar e excesso de ingestão de álcool.

O que fazer com a microangiopatia?

Simples assim: Cuide-se. Procure um médico, clínico, ou cardio, ou um neurologista.

Tome seus remédios de pressão alta, mantenha sua pressão arterial em no máximo 120×70 (12 por 7), cuide do seu diabetes, se tiver. Controle seu peso. Faça atividade física. Faça exames de check-up regulares. Tenha hábitos e alimentação mais saudáveis.

Identifique se você tem algum fator de risco para desenvolver a microangiopatia. Na dúvida, procure um neurologista e converse sobre o problema, o grau do que foi encontrado, e as medidas para evitar a progressão.

O tratamento das lesões de gliose ou microangiopatia é, basicamente, o bom controle dos fatores de risco cardio e cerebrovasculares associados (doenças crônicas cardíacas, circulatórias em geral, transtornos do sono, obesidade) e evitar-se hábitos de vida correlacionados.

 

Leia mais…

+++ AVC Isquêmico

 

** Dra. Maramélia Miranda é neurologista com residência e pós-graduação em Neurologia pela UNIFESP-EPM, especializada em AVC e Doppler Transcraniano, editora do blog iNeuro.com.br.

TEM MAIS DÚVIDAS??? LEIAM AS VÁRIAS PERGUNTAS DOS LEITORES ABAIXO… E AS RESPOSTAS…

Comments are closed.