Morte de Eduardo Campos

Volto com política (de novo…). 

Na noite do dia 12 de agosto, anteontem, assisti a entrevista do Eduardo Campos no Jornal Nacional. Meu marido, da sala de TV, me chamou na hora do início da fala, como sempre fazia nos últimos meses: “Vem logo, Mara, venha ver ‘seu candidato’ falar”. Foi assim com entrevistas de Eduardo em rádios, no programa do Roda Viva, no Canal Livre da Band, para falar dos principais que tive a oportunidade de ver.

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Ele tinha um discurso de esquerda, fortemente social, com uma coerência em questões econômicas, e realmente preocupado com esta questão, como economista que era.

Eu sempre pensava: Não é à toa que alguém consegue se reeleger governador com mais de 80% dos votos de um estado… Isso não vem de graça.

A notícia da queda do avião e sua morte, ontem no começo da tarde, foi um susto.

Depois veio uma sensação ruim, um desalento, um vazio, e fiquei pensando: E agora?! Em quem vou votar? Na Dilma, pra continuar do jeito que está? No Aécio, pra voltar ao que era, como está aqui em São Paulo há 20 anos?

Ele e seus ideais eram uma pontinha de esperança, para mim, para meu país que eu amo, para o futuro dos meus dois filhos, de 5 e 8 anos.  Para minha família, para nossos trabalhos. Que tristeza. Que tragédia para as famílias dos mortos. Que tragédia, para um partido inteiro, com tantas esperanças de mudanças, se não agora nesta, mas numa futura eleição daqui a 4 anos… 

Espero que esta morte sirva para chacoalhar a mente das pessoas, dos eleitores-cidadãos, dos indecisos, dos políticos, de todos os brasileiros.

Eu ainda creio. Alguma coisa grande (e boa!) deve estar por vir. Espero que tenha sido pra isso que Deus… Ou o acaso… Ou o fio queimado na turbina do Cessna…  Alguma destas coisas permitiu a queda daquele avião, e a morte daqueles brasileiros. E uma possível mudança de rumos na campanha e na nossa eleição presidencial daqui a dois meses. 

Vamos rezar pelo Brasil. E esperar.

 Foto: Revista Piauí.

Algumas leituras…

Por Reed Alebson. Health Insurers Are Trying New Payment Models, Study Shows. NYT, em 9 de julho. Para entendermos como poderá ser o futuro nas formas de pagamento na área de saúde. 

Toledano et al. Utility of an immunotherapy trial in evaluating patients with presumed autoimmune epilepsy. Neurology 2014. Pesquisa sobre uso como teste terapêutico de IgEV em suspeita de epilepsia autoimune. Interessantíssimo o artigo, destacado este mês pela neurologista Dra. Lívia Dutra, no site da Neurounifesp.com.br.

Por Emmie Martin e Skye Gould. The 20 Best Jobs For Work-Life Balance. Esse artigo é para mostrarmos aos nossos filhos!!!! Urgente!!!!!

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Músicas dos anos 80…

E em tempos de Lepo-lepo, Ai se eu te pego, Thiaguinho (nada contra… Mas…)… Cláudia Leite… Trago grandes clássicos nacionais dos anos 80…

Rolam as pedras (Kiko Zanbianchi) original . Um clássico…

Primeiros erros (de Kiko, por Capital Inicial). Ao vivo.

Garota Dourada (Ricardo Graça Mello, versão AO VIVO), e versão do Rádio Taxi... Emocionante o coro do refrão, feito pelos velhões da platéia…!

Sapato velho (Roupa Nova ao Vivo). Pra quem gosta de violão e coral…

Beat Acelerado – Metrô. Sem descrição. Ouçam.

Tempo Perdido (Legião Urbana).

Você pensa que viu de tudo???? Não. Precisa ver essa…

PROJETO DE LEI DO SENADO no. 179/2014.

Um Senador da República, Sen. Cidinho Santos, escreveu este Projeto de Lei AQUI, que propõe alterar a redação do CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, tornando assim o texto:

Art. 50-A. O médico ou profissional de saúde que atrasar o atendimento ao consumidor em consulta previamente agendada deverá conceder os seguintes descontos:

I – cinquenta por cento do valor da consulta, desde que o atraso seja superior a trinta minutos e inferior a uma hora;

II – setenta por cento, caso o atraso seja superior a uma hora.

Parágrafo único. Caso o médico ou profissional de saúde comunique ao consumidor o atraso ou ausência com pelo menos duas horas de antecedência em relação à data e hora da consulta agendada, não será aplicado qualquer desconto, desde que o consumidor seja atendido no prazo de até vinte e quatro horas após a data e hora originalmente agendada.”

Caros, não é piada. Nem brincadeira de mal gosto. Até parece. Mas não é… 

O Senado Federal, na sua Homepage, está com uma enquete, já votada por mais de 5000 pessoas, querendo saber o que a população acha deste PL…

Para acessar e votar na enquete do Senado Federal – cliquem AQUI (CANTO SUPERIOR DIREITO DA PAGINA)

Depois comento.

Por enquanto, ainda estou assustada com tamanha insanidade, e paralisada com o despreparo e total desconhecimento de quem chegou a escrever isso aí… 

Alguns comentários de amigos, de redes sociais, e o meu:

“Deveriam aprovar uma lei que cortasse a remuneração dos deputados e senadores que atrasassem ou faltassem sessões de votação, ou atrasassem a votação de um Projeto de Lei. Ia ser ótimo!” (Dra. Carla Pereira, Oftalmologista, J. Pessoa, PB)

“E se o pct. chegar atrasado? E se o pct. não comparecer a consulta? Quem idenizara o médico?
E se o paciente requerer mais tempo do médico em função da doença, podemos expulsá-lo da consulta pq ira invadir o horário do outro paciente? Medicina não é um negócio comercial para ser regimentado desta forma.” (autor desconhecido)

Captura de Tela 2014-06-21 às 00.16.21 (Dra. Dalva Helena Santos, Cirurgiã Dentista, J. Pessoa, PB)

“Tolice Federal! E se eu tiver uma urgência no hospital? Largo o paciente em urgência no hospital para atender um caso ambulatorial? Medicina ou Odonto, ou Fisio, ou Fono, realmente os serviços de prestação da Saúde não são, nunca foram, nem nunca serão uma ciência exata, e fica muito difícil tratar esta relação de prestador de serviço (profissionais da saúde) e consumidores (pacientes) do mesmo modo como tratamos, por exemplo, uma relação de consumo de varejo, quando tratamos de vidas e de problemas tão heterogêneos quanto são os problemas médicos ou de saúde em geral” (Meu comentário. Maramélia Miranda, Neurologista, S. Paulo, SP).

Leituras da semana…

Maria Konnikova. What’s Lost as Handwriting Fades. NY Times, 2 jun 2014. Na era tecnológica, onde tudo envolve computadores, smartphones, tablets, será que ainda há espaço para a escrita manual? O artigo fala sobre alguns estudos, entre eles um feito por Karen James e Laura Engelhardt, que demonstram o benefício ao cérebro das crianças de ainda se ensinar a escrita cursiva… Leia.

Sara Bower. The Best Amusement Parks In America. Business Insider, 25 mai 2014.

Usamos muito a classe de antidepressivos na nossa prática. Temos que saber seus efeitos colaterais… Este artigo publicado na JAMA Psychiatry (que por sinal está com acesso livre!!!!) é bem interessante… Blumenthal et al. An Electronic Health Records Study of Long-Term Weight Gain Following Antidepressant Use. JAMA Psychiatry 2014.

Em tempos de copa do mundo (inevitável para quem está aqui no nosso país), um site trouxe as placas da FIFA e dos restaurantes, colocadas nas cidades-sede, e as brincadeiras que as pessoas acabam fazendo com as traduções “bizarras”. Do site Virgula.com.br. 

Neuropalliative Care: Como eu traduzo isso?

Por Maramelia Miranda

Comecei a ler este artigo, achei-o bem interessante, e assim como faço sempre, vou lendo e fazendo a resenha para divulgar aqui. 

Mas… Na hora de passar para o português, a dúvida: Como traduzir esta nova “subespecialidade”, este novo campo de atuação da Neurologia? Seria, por acaso, Cuidados Neuropaliativos?!  🙂

O artigo, um texto curto (3 páginas), está publicado ASAP esta semana na Neurology – AQUI. Acesso free, livre! Corram para baixar!!!! 

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Número de hospitais nos EUA com equipe de Cuidados Paliativos. Fonte: capsules.jaiserhealthnews.org.

Robinson & Barrett discutem no texto sobre a especialidade já consolidada nos EUA, a Medicina Paliativa, e uma nova visão de mercado da conjunção desta área médica com a nossa especialidade, uma vez que tratamos de muitos casos com sequelas sérias, cuidamos de muitos pacientes com doenças degenerativas e incuráveis bastante sérias, onde este assunto quase sempre vem à tona.

O trato dos pacientes, de suas famílias, saber como abordar temas tão delicados, como perceber as expectativas de todos, algumas reais, outras totalmente irreais, sobretudo em um país com uma cultura latina, religiosa tão forte, como é o nosso… Em um país onde não há a prática de retirada de cuidados, diferentemente de outros locais…

Este é um tema, uma área que deveria fazer, necessariamente, parte da formação dos nossos residentes em Neurologia, e diria também (por que não?!), dos residentes da Neurocirurgia… Na UNIFESP, os residentes da Neuroclínica passam em rodízio com o grupo de Cuidados Paliativos. Certíssimo. Tem que ser.

Leiam o texto. Vale a leitura.

LINKS

Robinson & Barret. Emerging Subspecialties in Neurology: Neuropalliative care. Neurology 2014.

Estudo STASH aposenta de vez a sinvastatina: Entenda tudo aqui!!!

Por Daniel Bezerra e Maramelia Miranda

O Estudo STASH foi desenhado para avaliar uma tese recorrente no Neurointensivismo: As estatinas funcionam para prevenir vasoespasmo em hemorragia subaracnoidea, ou para melhorar desfechos clínicos?

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O estudo multicêntrico, duplo-cego, prospectivo, envolvendo 803 pacientes em 9 países, teve financiamento público (nada de indústria), e testou placebo versus sinvastatina 40mg ao dia, nos casos de HSA randomizados até 96 horas do icto.

O desfecho medido foi a escala de Rankin modificada em 6 meses, tendo sido favorável (mRS 0-2) em 271 casos do grupo ativo versus 289 do placebo (cerca de 70% dos casos). Houve 37 (10%) mortes no grupo da sinvastatina e 35 (9%) no placebo (p=0,59).

Conclusão dos autores: O STASH trial não detectou benefício no uso de sinvastatina nos desfechos a curto ou longo prazo em pacientes com HSA. 

Conclusão nossa: Mais uma batalha pedida. Esqueçam a estatina na HSA. O que podemos fazer para os nossos casinhos de vasoespasmo e HSA!?

LINKS

Kirkpatrick et al, for STASH Trial. Simvastatin in aneurysmal subarachnoid haemorrhage (STASH): a multicentre randomised phase 3 trial. Lancet Neurology 2014.

MacDonald RL. Are statins to be STASHed in subarachnoid haemorrhage? Lancet Neurology 2014.