Frases do Dia. “É o carro enguiçado, é a lama, é a lama”

Tenho colegas seguidores-leitores que detestam isso. A estes que não gostam de política, perdão perdão perdão. Mil vezes. Mas não me contive. Tenho que comentar.

Frase 2, da maravilhosa Ministra Carmem Lúcia, do STF:

“Na história recente da nossa pátria, a sociedade acreditou que a esperança tinha vencido o medo. Na ação penal 470 [mensalão] vimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece que o escárnio venceu o cinismo.” 

MINISTRA CARMEN LÚCIA,  em seu voto, comentando COM MUITA LUCIDEZ sobre:

1 — A eleição de um operário, de um partido de esquerda, com o slogan da “esperança venceu o medo”

2 — Os cara-de-pau dos mentirosos petistas do mesmo partido de esquerda, sobre os fatos de Pasadena / Mensalão / etc

3 — E agora, sobre os fatos acontecidos com o atual senador líder do partido DO GOVERNO, e as tentativas de corromper e planejar a FUGA DE DELATOR, na Lava-Jato…

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Curiosos? Aos que tiverem estômago, AQUI a gravação da “conversinha” do primeiro Senador da República preso em pleno mandato no Brasil. Mais uma façanha do PT. Por favor, ouçam com um saquinho ao lado. É nojento. Pode causar náuseas e vômitos.

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 A lama de rejeitos de minério que vazou da barragem da Samarco em Mariana, atravessa o município de Linhares e chega ao Oceano Atlântico, no litoral do estado do Espírito Santo (Foto: Gabriela Biló / Estadão)

“É o carro enguiçado, é a lama, é a lama”

Anos depois de sua concepção, o verso da “Águas de Março” de Tom Jobim é o mais perfeito retrato deste país. Literalmente.

Mar de lama da mineradora Samarco. Mar de lama da política, do PT, PMDB, PSDB, PP, DEM, todos…

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Por fim, algumas fotinhos… Lindas…

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Acima, amiguinhos… “Meu “líder” no Senado.”

Abaixo, um pedido: “duas algemas, please”…

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Abaixo, “ligações perigosas”.

Dieta Mediterrânea: Estudo com ressonância magnética

Um grupo da Columbia publicou em outubro passado, na Neurology, um estudo de coorte com idosos saudáveis (sem demência), avaliando seus hábitos alimentares – categorizando-os como baixa ou alta aderência à dieta mediterrânea, e correlacionando estas variáveis com aspectos da ressonância magnética, como volume cerebral, da substância branca e cinzenta, espessura cortical e volumes dos lobos cerebrais.

Indivíduos com maior aderência à dieta mediterrânea tiveram maiores volumes total cerebral, de substância cinzenta e branca. Quem comia mais peixe, e menos carne, teve maiores volumes de substância cinzenta… O mesmo ocorreu com os volumes totais dos lobos temporais, frontal, cíngulo e hipocampos. Tudo isso com significância estatística… Os autores concluem o trabalho assim:

“Among older adults, MeDi (dieta mediterrânea) adherence was associated with less brain atrophy, with an effect similar to 5 years of aging. Higher fish and lower meat intake might be the 2 key food elements that contribute to the benefits of MeDi on brain structure.”

Eu já não era muito fã… Agora, então…

LINKS

Gu et al. Mediterranean diet and brain structure in a multiethnic elderly cohort. Neurology 2015.

Estudo SPRINT: Publicado!

Não foi financiado pela indústria. Foi pelo NIH.

O estudo havia parado o recrutamento em setembro passado. Aguardavam-se notícias.

Agora, em Orlando, no big-cardio-congresso da AHA, saiu.

O trial, com mais de 9000 pacientes hipertensos, demonstrou que os pacientes submetidos aos alvos mais estritos de PA (PAS< 120mmHg) tiveram um risco relativo reduzido em 25% de end-points combinados – IM, síndrome coronariana aguda, AVC, IC descompensada e morte cardiovascular; tiveram 27% menor risco de mortalidade global, e 43% menor risco de morte cardiovascular.

Uhhhhhhh… Estudo publicado na NEJM. Com direito a TRÊS EDITORIAIS. É mole?!?!?!?!

Daqui a pouco posto os links. Sugiro estas leiturinhas… Muito boas.

Moral da história: Tem que ser 12 por 8!!!!!!! Ou menos… 

LINKS

The SPRINT Research Group. A Randomized Trial of Intensive versus Standard Blood-Pressure Control. NEJM 2015.

Editorial 1 – 

Editorial 2 – 

Editorial 3 –

Beba com moderação. Trabalhe menos. E tenha menos AVC.

Dois estudos, um coreano publicado na Neurology, e outro com mais de 603 mil sujeitos avaliados, na Lancet, apontam que ingerir bebida alcóolica em moderada quantidade (3 a 4 drinks por dia – 30-40g de etanol), e trabalhar em horários considerados normais (35-40h/semana), correlacionaram-se com menor risco de AVC.

Tomar “um drinkizinho” por dia pode fazer bem…

LINKS e ABSTRACTS

Lee et al. Moderate alcohol intake reduces risk of ischemic stroke in Korea. Neurology 2015.

Objective: We undertook a population-based, case-control study to examine a dose-response relationship between alcohol intake and risk of ischemic stroke in Koreans who had different alcoholic beverage type preferences than Western populations and to examine the effect modifications by sex and ischemic stroke subtypes.

Methods: Cases (n = 1,848) were recruited from patients aged 20 years or older with first-ever ischemic stroke. Stroke-free controls (n = 3,589) were from the fourth and fifth Korean National Health and Nutrition Examination Survey and were matched to the cases by age (±3 years), sex, and education level. All participants completed an interview using a structured questionnaire about alcohol intake.

Results: Light to moderate alcohol intake, 3 or 4 drinks (1 drink = 10 g ethanol) per day, was significantly associated with a lower odds of ischemic stroke after adjusting for potential confounders (no drinks: reference; <1 drink: odds ratio 0.38, 95% confidence interval 0.32–0.45; 1–2 drinks: 0.45, 0.36–0.57; and 3–4 drinks: 0.54, 0.39–0.74). The threshold of alcohol effect in women was slightly lower than that in men (up to 1–2 drinks in women vs up to 3–4 drinks in men), but this difference was not statistically significant. There was no statistical interaction between alcohol intake and the subtypes of ischemic stroke (p = 0.50). The most frequently used alcoholic beverage was one native to Korea, soju (78% of the cases), a distilled beverage with 20% ethanol by volume.

Conclusions: Our findings suggest that light to moderate distilled alcohol consumption may reduce the risk of ischemic stroke in Koreans.

 

Kivimaki et al. Long working hours and risk of coronary heart disease and stroke: a systematic review and meta-analysis of published and unpublished data for 603 838 individuals. Lancet 2015.

Background. Long working hours might increase the risk of cardiovascular disease, but prospective evidence is scarce, imprecise, and mostly limited to coronary heart disease. We aimed to assess long working hours as a risk factor for incident coronary heart disease and stroke.

Methods. We identified published studies through a systematic review of PubMed and Embase from inception to Aug 20, 2014. We obtained unpublished data for 20 cohort studies from the Individual-Participant-Data Meta-analysis in Working Populations (IPD-Work) Consortium and open-access data archives. We used cumulative random-effects meta-analysis to combine effect estimates from published and unpublished data.

Findings. We included 25 studies from 24 cohorts in Europe, the USA, and Australia. The meta-analysis of coronary heart disease comprised data for 603 838 men and women who were free from coronary heart disease at baseline; the meta-analysis of stroke comprised data for 528 908 men and women who were free from stroke at baseline. Follow-up for coronary heart disease was 5·1 million person-years (mean 8·5 years), in which 4768 events were recorded, and for stroke was 3·8 million person-years (mean 7·2 years), in which 1722 events were recorded. In cumulative meta-analysis adjusted for age, sex, and socioeconomic status, compared with standard hours (35–40 h per week), working long hours (≥55 h per week) was associated with an increase in risk of incident coronary heart disease (relative risk [RR] 1·13, 95% CI 1·02–1·26; p=0·02) and incident stroke (1·33, 1·11–1·61; p=0·002). The excess risk of stroke remained unchanged in analyses that addressed reverse causation, multivariable adjustments for other risk factors, and different methods of stroke ascertainment (range of RR estimates 1·30–1·42). We recorded a dose–response association for stroke, with RR estimates of 1·10 (95% CI 0·94–1·28; p=0·24) for 41–48 working hours, 1·27 (1·03–1·56; p=0·03) for 49–54 working hours, and 1·33 (1·11–1·61; p=0·002) for 55 working hours or more per week compared with standard working hours (ptrend<0·0001).

Interpretation. Employees who work long hours have a higher risk of stroke than those working standard hours; the association with coronary heart disease is weaker. These findings suggest that more attention should be paid to the management of vascular risk factors in individuals who work long hours.

Atualização no manejo da temperatura após PCR

O International Liaison Committee on Resuscitation, junto com comitês de ressuscitação da AHA e da associação americana de Medicina Intensiva atualizaram as diretrizes sobre o manejo da temperatura dos pacientes após parada cardíaca, que até 2013 eram submetidos à hipotermia induzida, estratégia que foi modificada mais recentemente, após a publicação do TTM (Targeted Temperature Management) Trial, que foi negativo sobre o benefício desta terapia.

Agora, a recomendação é de “controle da temperatura”, ou, prefiro o termo em inglês, o qual ainda não sei ao certo, uma boa tradução… ” Targeted Temperature Management”.

Pois bem, pessoal… Para adultos com PCR com ou sem ritmo chocável, é recomendado manter a temperatura entre 32°C e 36°C por 24 horas (mínimo) após a PCR. Abaixo, deixo os links da diretriz, publicada no mês de outubro na Circulation, e dois artiguinhos importantes, o estudo TTM, da NEJM e um artigo de discussão na Critical Care.

LINKS

Donnino et al, and the ILCOR ALS Task Force. Temperature Management After Cardiac Arrest An Advisory Statement by the Advanced Life Support Task Force of the International Liaison Committee on Resuscitation and the American Heart Association Emergency Cardiovascular Care Committee and the Council on Cardiopulmonary, Critical Care, Perioperative and Resuscitation. Circulation 2015.

Nielsen et al. Targeted Temperature Management at 33°C versus 36°C after Cardiac Arrest. NEJM 2013.

Wise et al. Targeted temperature management after out-of-hospital cardiac arrest: certainties and uncertainties. Crit Care 2014.

 

EuroTherm3235: Hipotermia foi ruim no TCE grave

Na verdade, hipotermia com alvos de temperatura entre 32-35 graus foi pior do que não fazê-la. O estudo foi terminado pelas questões de segurança…

Na escala de outcomes de Glasgow extendida, um dos desfechos medidos do estudo, o desfecho favorável (GOS-E entre 5-8) ocorreu em 26% do grupo com hipotermia, e 37% nos controles (P=0.03)…

O artigo e seu editorial estão com acesso livre na homepage da NEJM.

cold

 

LINKS

Andrews et al. Hypothermia for Intracranial Hypertension after Traumatic Brain Injury. NEJM 2015.

Robertson & Ropper. Getting Warmer on Critical Care for Head Injury. NEJM 2015. Editorial sobre os resultados do EuroTherm3235.

Emoção pura. É de arrepiar…

Anteontem foi o dia em que Doc Brown e Marty MacFly, da ficção De volta para o futuro II, viajariam 30 anos para o futuro… Era 1989, e o filme virou um clássico da nossa geração…

2015. Estamos aqui. 26 anos depois de assistir ao filme, we-are-in-the-future… Erraram algumas coisas, acertaram outras… Ainda não temos carros voadores, mas os elétricos estão por aí. Smartphones, Internet, filmes 3D, videoconferências, foram algumas dos acertos.

Aos fãs, aos que não conhecem, assistam abaixo os atores “chegando” em 2015, no programa de Jimmy Kimmel. É de arrepiar.

Fechamento de Forame Oval Patente: A volta triunfal do RESPECT Trial

Por Sheila Martins ** e Maramelia Miranda

Ops!!!!! Ops!!!!! Ops!!!!!

Meia-volta-volver!!!!!!!!!

Análises de follow-up médio de 5 anos do estudo RESPECTRandomized Evaluation of Recurrent Stroke Comparing PFO Closure to Established Current Standard of Care Treatment, apresentadas em recente congresso de hemodinâmica da Cardiologia, o TCT 2015 – Transcatheter Cardiovascular Therapeutics (TCT) 2015, ocorrido em San Francisco na semana passada, mostraram que houve uma redução significativa de AVCi na população que teve seu FOP fechado, em torno de 54% de redução nos casos de AVCi criptogênico.

Pra quem não lembra, o RESPECT e o PC Trial foram negativos na terapia endovascular (fechamento transcutâneo de FOPs), resultados publicados em 2013 que reduziram bastante a indicação desta terapia, no mundo todo.

Resultados

Não houve diferenças em relação aos grupos clínico e intervencionista em relação ao desfecho de AVC geral (all-case strokes). Porém, em relação aos AVCs criptogênicos, houve 10 AVCs no grupo ativo, versus 19 no grupo de tratamento médico (HR 0.46, P=0.04). E quando pegaram apenas os pacientes < 60 anos (mais jovens), a redução de risco de qualquer AVC foi de 52% (P =0.035) – a favor do fechamento do FOP, e de 75% para AVCi criptogênico nos pacientes que tinham aneurisma de septo interatrial ou shunts “substanciais” (P=0.007).

respect table 1.

Captura de Tela 2014-06-21 às 00.16.21

Resumo da ópera…

Veja bem…

Agora vai ficar difícil argumentar TOTALMENTE CONTRA o fechamento de FOPs por aí.

Esqueçam aquela historinha de que não manda fechar nada de ninguém… Aos céticos defensores ferrenhos de terapia clínica, que nunca mandavam nenhum caso serem fechados… Revejam seus conceitos…

Com estes números, há de se rever algumas condutas… Atenção que devemos analisar os casos, e mais ainda agora cresce a importância de graduar bem os shunts, com Doppler Transcraniano, ver direitinho a anatomia do forame, com ecocardio bem feito, tudo certinho.

Atenção. Paper ainda não publicado. Vamos atualizando assim que alguma coisa sair.

LINKS

Messe & Kent. Still No Closure on the Question of PFO Closure. NEJM 2013.

Caroll et al. Closure of Patent Foramen Ovale versus Medical Therapy after Cryptogenic Stroke. NEJM 2013.

Nicole Lou. RESPECT Confirms Long-term Safety, Efficacy of PFO Closure for Recurrent Stroke. Em: www.tctmd.com.

** Dra. Sheila é neurologista vascular, representante da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares junto à WSO – World Stroke Organisation.