10.400 UI por dia de vitamina D em Esclerose Múltipla: Seguro

Importante estudo americano, realizado em 3 importantes centros dos EUA – na Johns Hopkins, Stanford e Duke, liderado pelo Dr. Calabrese, um dos expoentes neuroimunologistas atualmente.

Embora pequeno, é um estudo randomizado e controlado, envolvendo pacientes com EM, e foi publicado no finalzinho do ano de 2015 na Neurology. Avaliou 40 pacientes portadores da doença, comparando a dose de 800 vs 10.400 UI de colecalciferol (D3) como suplementação ao esquema de tratamento da EM.

Importante do estudo: mesmo com poucos dados, os autores resolveram publicar os resultados do follow-up de 6 meses, para divulgar que esta dose é plenamente segura, e mais, provocou efeitos imunomoduladores in vivo nos pacientes que usaram a dose maior. Sendo um seguimento pequeno, não houve diferenças em relação ao desfecho de número de surtos, que ocorreu em um caso em cada subgrupo avaliado.

É um passo importante para, primeiro, reconhecer que esta reposição é realmente benéfica – do ponto de vista imunológico, aos pacientes; segundo, importante para retirar o estigma que ainda existe – do medo de se aumentar as doses de reposição diárias para níveis de 5000 ou 10.000 UI ao dia.

Com este estudo, o respaldo é muito maior para o uso de doses como esta…

10milUI

Vitamina D: Reponha em EM, sem medo.

LINK

Sorticos et al. Safety and immunologic effects of high- vs low-dose cholecalciferol in multiple sclerosis. Neurology 2015. 

ARUBA, ACT-I, CLEAR-III, IRIS, e outros mais… Tudo esta semana!

Atenção neuros-navegantes-vasculares, pois o congresso americano de AVC – o ISC 2016, começará amanhã, e promete emoçõeszinhas, não tão fortes como as do ano passado, com os estudos de trombectomia, mas bastante coisa bem aguardada pela comunidade neurológica, entre eles:

ACT-I – Resultados da comparação de endarterectomia e angioplastia em pacientes com doença carotídea assintomática.

CLEAR-III – Resposta sobre o tratamento com trombólise intraventricular em hemoventrículo.

ARUBA – Resultados de maior follow-up dos pacientes randomizados no estudo ARUBA, com MAVs assintomáticas.

IRIS – Uso de pioglitazona em intolerância à glicose em pacientes com AVC.

ISC 2016: Aguardando as notícias de LA!

Stent-Retrievers para AVCi agudo: Ainda precisamos de metanálises??!!!

Mais uma publicada. Só tem que tomar cuidado para não ficar igual à história do FOP, com 17 metanálises… 🙂

Artigo desta metanálise, free no site da revista.

LINKS

Touma et al. Stent Retrievers for the Treatment of Acute Ischemic StrokeA Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Clinical Trials. JAMA Neurology 2016.

Cavernomas: Como tratar?

A metanálise recentemente publicada na Lancet Neurology avaliou 1620 pacientes em séries retrospectivas previamente publicadas, e a evolução dos pacientes estudados. Analisando as 7 séries de pacientes, houve um risco de hemorragia intracraniana no follow-up de 5 anos de:::

— 3,8% em casos com cavernomas extra-tronco cerebral sem apresentação inicial de hemorragia ou déficit neurológico;

— 8% de risco nos casos de cavernomas de tronco com a mesma apresentação (sem hematomas ou déficits);

— 18,4% de risco de hemorragia em casos extra-tronco que haviam sangrado antes, ou apresentado sinal focal;

— 30,8% de risco de sangramento em 5 anos, nos casos de tronco com déficit ou sangramento prévios.

Ou seja, vai piorando — nesta ordem… Resumindo a ópera, a localização, e modo de apresentação iniciais, são fatores independentes relacionados ao prognóstico de sangramento intracerebral nos pacientes com cavernomas.

O artigo está free no site da Lancet Neurology. O editorial também…

Bem interessante. Para nos ajudar no manejo dos casos sintomáticos e assintomáticos.

LINKS

Horne et al. Clinical course of untreated cerebral cavernous malformations: a meta-analysis of individual patient data. Lancet Neurology 2016.

Algra & Rinkel. Prognosis of cerebral cavernomas: on to treatment decisions. Lancet Neurology 2016. Editorial.

Leituras de final de ano

Edição de Janeiro 2016 inteirinha da Lancet Neurology — Retrospectiva do ano de 2015…

Horne et al. Clinical course of untreated cerebral cavernous malformations: a meta-analysis of individual patient data. Lancet Neurology 2015.

Wijngaard et al. Impact of Collateral Status Evaluated by Dynamic Computed Tomographic Angiography on Clinical Outcome in Patients With Ischemic Stroke. Stroke 2015.

Mazya et al. IV thrombolysis in very severe and severe ischemic stroke: Results from the SITS-ISTR Registry. Neurology 2015.

Gelfand A. Infant colic—a baby’s migraine? Cephalalgia 2015. 

Danet et al. Thalamic amnesia after infarct: The role of the mammillothalamic tract and mediodorsal nucleus. Neurology 2015.

Satti et al. Meta-Analysis of CSF Diversion Procedures and Dural Venous Sinus Stenting in the Setting of Medically Refractory IdiopathicIntracranial Hypertension. AJNR 2015.

Thijs et al. Predictors for atrial fibrillation detection after cryptogenic stroke:  Results from CRYSTAL AF. Neurology 2015.

 

Frases do Dia. “É o carro enguiçado, é a lama, é a lama”

Tenho colegas seguidores-leitores que detestam isso. A estes que não gostam de política, perdão perdão perdão. Mil vezes. Mas não me contive. Tenho que comentar.

Frase 2, da maravilhosa Ministra Carmem Lúcia, do STF:

“Na história recente da nossa pátria, a sociedade acreditou que a esperança tinha vencido o medo. Na ação penal 470 [mensalão] vimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece que o escárnio venceu o cinismo.” 

MINISTRA CARMEN LÚCIA,  em seu voto, comentando COM MUITA LUCIDEZ sobre:

1 — A eleição de um operário, de um partido de esquerda, com o slogan da “esperança venceu o medo”

2 — Os cara-de-pau dos mentirosos petistas do mesmo partido de esquerda, sobre os fatos de Pasadena / Mensalão / etc

3 — E agora, sobre os fatos acontecidos com o atual senador líder do partido DO GOVERNO, e as tentativas de corromper e planejar a FUGA DE DELATOR, na Lava-Jato…

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Curiosos? Aos que tiverem estômago, AQUI a gravação da “conversinha” do primeiro Senador da República preso em pleno mandato no Brasil. Mais uma façanha do PT. Por favor, ouçam com um saquinho ao lado. É nojento. Pode causar náuseas e vômitos.

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 A lama de rejeitos de minério que vazou da barragem da Samarco em Mariana, atravessa o município de Linhares e chega ao Oceano Atlântico, no litoral do estado do Espírito Santo (Foto: Gabriela Biló / Estadão)

“É o carro enguiçado, é a lama, é a lama”

Anos depois de sua concepção, o verso da “Águas de Março” de Tom Jobim é o mais perfeito retrato deste país. Literalmente.

Mar de lama da mineradora Samarco. Mar de lama da política, do PT, PMDB, PSDB, PP, DEM, todos…

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Por fim, algumas fotinhos… Lindas…

Miniatura

Acima, amiguinhos… “Meu “líder” no Senado.”

Abaixo, um pedido: “duas algemas, please”…

Miniatura

Abaixo, “ligações perigosas”.

Dieta Mediterrânea: Estudo com ressonância magnética

Um grupo da Columbia publicou em outubro passado, na Neurology, um estudo de coorte com idosos saudáveis (sem demência), avaliando seus hábitos alimentares – categorizando-os como baixa ou alta aderência à dieta mediterrânea, e correlacionando estas variáveis com aspectos da ressonância magnética, como volume cerebral, da substância branca e cinzenta, espessura cortical e volumes dos lobos cerebrais.

Indivíduos com maior aderência à dieta mediterrânea tiveram maiores volumes total cerebral, de substância cinzenta e branca. Quem comia mais peixe, e menos carne, teve maiores volumes de substância cinzenta… O mesmo ocorreu com os volumes totais dos lobos temporais, frontal, cíngulo e hipocampos. Tudo isso com significância estatística… Os autores concluem o trabalho assim:

“Among older adults, MeDi (dieta mediterrânea) adherence was associated with less brain atrophy, with an effect similar to 5 years of aging. Higher fish and lower meat intake might be the 2 key food elements that contribute to the benefits of MeDi on brain structure.”

Eu já não era muito fã… Agora, então…

LINKS

Gu et al. Mediterranean diet and brain structure in a multiethnic elderly cohort. Neurology 2015.