Neuralgia do Trigêmeo: Novas definições

Abaixo, novo algoritmo proposto para diagnosticar e classificar os tipos de Neuralgia do trigênio, dor neuropática orofacial mais frequente na prática neurológica. Para mais detalhes, vejam o artigo abaixo, escrito pelos grupos americano e europeu de estudos em dor neuropática.

NT-novo algoritmo

LINKS

Cruccu et al. Trigeminal neuralgia: New classification and diagnostic grading for practice and research. Neurology 2016.

Menos ou mais de 140mmHg no AVCh??? Eis a questão…

ATACH-2 publicado.

Foi apresentado no congresso europeu em Barcelona no mês passado. Resultado negativo.

Agora (anteontem) – detalhes do paper, publicados na NEJM.

O que era já algo controverso, agora piorou. O INTERACT-2 nos mostrou que baixar agressivamente a PAS para menos de 140mmHg em AVCh, nas primeiras horas do icto, foi seguro, mas deixou dúvidas quanto ao benéficio clínico para os pacientes.

Verdade mesmo era que muita gente da comunidade não engoliu bem os resultados do INTERACT-2… Vero.

Um p na trave, umas explicações estatísticas duvidosas, mas fazer o que?! Na prática, e numa doença grave destas, onde não temos quase nada a fazer?!?!? Só nos restava ligar o nitro e mandar ver! Meio que… Tentando reduzir expansão do hematoma, mesmo sabendo que isso não teve muita tradução em desfechos clínicos. Este é meu pensamento… E o de muitos!

Agora, Adnan Qureshi e sua turma aparecem com um balde de água fria pros amantes da redução agressiva da PA…

ATACH-2 negativo, interrompido por futilidade. CLEAR-3 negativo. Como vemos, a coisa não anda nada boa pro coitadinho do AVCh. Nada dá certo!?

AVCH-expansao

Baixar ou não baixar agressivamente a PA na fase aguda do AVCh? Voltamos à estaca zero no tratamento do AVCh?

LINKS

Silver & Anderson. Review of the systolic blood pressure intervention trial for hypertension management. How low to go for patients with stroke? Stroke 2016. Na Stroke de Junho de 2016.

Anderson et al; INTERACT2 Investigators. Rapid blood-pressure lowering in patients with acute intracerebral hemorrhage. NEJM 2013.

Qureshi et al. Intensive Blood-Pressure Lowering in Patients with Acute Cerebral Hemorrhage. NEJM 2016.

“Head Turning Sign”: Viva o Exame Neurológico!!!!!!

Sinal de “Virar a Cabeça”.

Ah…… Você já viu.

Com-certeza!!!!!!!!!!!!!!!!!

Caso clássico: Doente com queixa amnéstica, ou aquele paciente cujos familiares o arrastam à consulta com o neuro, preocupados porque o paciente está esquecido.

Você começa a fazer as perguntas para o doente, e ele (ou ela) constantemente vira a cabeça para o acompanhante, ou familiar, ou cuidador, olhando e pedindo a dica da resposta: “eu… Tenho 67 anos, não é, fulano?”

Ou: “Hoje é… Que dia é mesmo, filho?”…

Procurei no Youtube.com o sinal para ilustrar aqui… Não tem. Resolvi ilustrar com uma fotinho do nosso Presidente-interino e seus super-power ministros. A olhadela que o paciente dá é parecida com essa aí em cima – do Eliseu Padilha pro Temer.

Pois é. Este sinal, descrito desde 1996 em livros textos de Neurologia, mais recentemente foi estudado por alguns grupos, tendo sido um autor japonês o primeiro a tentar correlacionar o sinal propedêutico com demências relacionadas à Doença de Alzheimer (veja link abaixo).

Agora, no Congresso de Neurologia Europeu deste ano, um grupo português apresentou dados interessantes, num estudo com 78 pacientes, divididos em subtipos de TCL (transtorno cognitivo leve) amnéstico, DA e demência frontotemporal.

Vejam só:

A definição de Sinal do Virar a Cabeça neste estudo foi a seguinte: com o paciente sentado à frente do acompanhante (cuidador / familiar), com este posicionado cerca de 1 metro / 45 graus atrás do paciente, o médico perguntava 5 questões predefinidas, e entre elas:  “Quando foi sua última refeição?” ou “Qual data é hoje?” O sinal era graduado em 0-5 pontos de acordo com a quantidade de vezes que o paciente virava a cabeça para pedir ajuda.

Neste estudo português, o Sinal do Virar a Cabeça foi positivo em 83.3% dos casos de DA e em 44.4% no grupo com TCL amnéstico. A sensibilidade para DA foi de 80%, com especificidade mais baixa, 53%. Até correlação entre o sinal neurológico e a proteína tau (P = .002) e fosfotau (P = .002) no LCR veio com significância estatística!!!!!!

É mole!!!!!???? Temos que nos render.

Viva o exame Neurológico. De olho nos sinais!!!!!!!!

REFLEX-TEST

Um abração a Silvana Sobreira, colega Neuro, preceptora da residência de Neurologia em Recife, PE, e seus residentes, que pediram posts sobre semiologia neurológica!!!!

Gente, preciso da ajuda de vocês!!!! Mandem textos!!!!!!

LINKS

Fukui et al. Can the ‘Head-Turning Sign’ Be a Clinical Marker of Alzheimer’s Disease. Dementia and Geriatr Dis 2011.

Anderson P. Head Turning Sign May Help Identify Alzheimer’s. Medscape, Junho 2016.

Guideline para uso de antipsicóticos em Demências

Vamos combinar: prescrever quetiapina para delirium hiperativo e demenciados, qualquer médico prescreve!!!!!

Você… Que é um neurologista fino, estudioso, atualizado, leitor deste modesto blog… Tem a obrigação de saber os detalhes de cada droga, quando usar olanza ou quando preferir risperidona, ou quando aumentar as drogas, ou quando insistir na quetiapina… E quando não aumentar, e simplesmente trocar o agente…

Deve saber os efeitos adversos mais frequentes, os neurolépticos que sedam mais, que controlam agotação melhor, ou seja… Simplesmente tudo!!!!

Portanto, essa diretriz da American Psychiatry Association é leiturinha obrigatória pra nós, neuros.

Nada de quetiapina pra todo mundo, por favor! Senão eu finjo que não conheço vocês todos!!!!

LINK

Reus et al. The American Psychiatric Association Practice Guideline on the Use of Antipsychotics to Treat Agitation or Psychosis in Patients With Dementia. Am J Psychiatry 2016.

Guideline para reabilitação em AVC – 2016

O mundo ideal não é igual em qualquer lugar.

A reabilitação nos EUA pode parecer um sonho, modelos de reabilitação intensiva intrahospitalar, nursing homes, rehab hospitals, altas de hospitais gerais para hospitais de reabilitação… Essas coisas que sempre sonhamos mas não temos nem um tiquinho aqui no Brasil…

Introduzindo assim, explico que esta diretriz realmente… Não pode ser aplicada para nossa realidade como um todo! 

Pra começar, a importância do artigo é grande. É a primeira diretriz em reabilitação no AVC da AHA (American Heart Association) e ASA (American Stroke Association). Demorou, eih?!

Quando forem ler, podem até pular a parte que fala das recomendações de terapia de reabilitação intensiva na fase aguda… Dos modelos tal e qual eles tem lá, e nós… pobres brasileiros mortais, não temos… 🙁

Li aquilo e pensei: Doce ilusão para nós, brasucas! Não sonhe, Maramélia. Conto nos dedos onde temos um time de reabilitação estruturado e organizado assim no Brasil. Joinville (S. José), Sarah, Lucy Montoro, alguns centros privados. Mais algum????

Voltando ao mundo real, vi que alguns itens das recomendações são bastante importantes, como, por exemplo, a referência de que mobilização precoce nas primeiras horas do AVC é deletério (resultado do estudo publicado no ano passado, não lembro o nome dele, daqui a pouco resgato e modifico…)… As recomendações de manejo nos membros paréticos, muito interessantes… Principalmente aos nossos pacientes ralam bastante para ter acesso aos serviços de Fisiatria e Reabilitação no nosso país.

Há recomendações específicas para manejar e tratar ombro doloroso! Isso é uma glória! Não vou ter que ler e estudar os papers todos para pegar as melhores dicas de tratamento… Está tudo lá, resumido.

Quantas vezes você mandou o paciente com AVC para passar com Fisiatra por causa disso e ele voltou sem conseguir a consulta??? Eu? Váaaaarias.

Há recomendações do manejo de distúrbios esfincterianos, negligência, apraxia, transtorno cognitivo, ataxia, disartria, afasia, etc… Bem completo o guideline… Mencionam uso de drogas para memória e fala, como donepezila, rivastigmina, fluoxetina para melhora motora, e reforçam a ação deletéria do metilfenidato e moldafinila, importante alerta aos que gostam de usar estes agentes nos casos com extrema apatia — atenção, galera::: ritalina, não.

Enfim, uma boa pedida para leitura.

LINKS

Winstein et al. Guidelines for Adult Stroke Rehabilitation and Recovery. A Guideline for Healthcare Professionals From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke 2016.

Critérios da MDS para Doença de Parkinson 2015

Publicados em meados de 2015, dois artigos revisam os critérios clínicos desta doença, atualizados de acordo com os avanços diagnósticos que ocorreram nos últimos anos, na genética, em reconhecimento dos sintomas não-motores e pródromos. Um deles traça diretrizes para critérios pré-clínicos, bastante úteis em pesquisas na área.

Bem interessante.

LINKS

Postuma et al. MDS Clinical Diag nostic Criteria for Parkinson’s Disease. Mov Disorders 2015.

Berg et al. MDS research criteria for prodromal Parkinson’s disease. Mov Disorders 2015.