Novo Guideline de prevenção primária em doenças cardiovasculares

Publicado simultaneamente na JACC e Circulation, por ocasião do ACC’2019 ocorrido em New Orleans. Seguindo recomendações de recentes estudos da Cardiologia, que não mostraram efeito da aspirina na prevenção primária, a nova diretriz destaca a importância maior de controlar os fatores de risco modificáveis e seu impacto na prevenção das DCV. A recomendação de dose baixa de aspirina agora é classificada como IIb, com indicação mais restrita, em pacientes com alto risco de DCV aterosclerótica entre 40 a 70 anos, que não tenham maior risco de sangramento. Outro aspecto bem importante ressaltado pela diretriz: discutir as estratégias e escolher os tratamentos em conjunto com os próprios pacientes: “Patient-centered care” recomendado na linha de cuidado!!!!!!!

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Arnett et al. New AHA/ACC CVD Primary Prevention Guideline. Circulation 2019. 

Supplemental Data. 

ESO e ESMINT publicam recomendações sobre trombectomia em AVCi agudo

 

Saiu hoje.

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Turc et al. European Stroke Organisation (ESO) – European Society for Minimally Invasive Neurological Therapy (ESMINT) Guidelines on Mechanical Thrombectomy in Acute Ischaemic Stroke Endored by Stroke Alliance for Europe (SAFE). Eur Stroke J 2019. Versão resumida – apenas tabela das questões PICO e recomendações. 

Supplemental Material 1

MISTIE III: Apresentado e publicado

Publicado na Lancet, e apresentado em concomitância no International Stroke Conference 2019, no Havaí, o trial MISTIE III – estudo clínico randomizado controlado que avaliou a drenagem de hematomas intrcerebrais com cirurgia neurológica minimamente invasiva comparado ao tratamento conservador.

O estudo foi longo, capitaneado pelo mesmo grupo americano do trial CLEAR-3, neurologista Daniel Hanley e sua equipe multidisciplinar, de neurologistas, neurointensivistas e neurocirurgiões, de Baltimore, USA.

Resultados.

Os grupos de tratamento standart e tratamento com cirurgia de evacuação seguida de trombólise local do hematoma teve desfechos similares. As taxas de bom desfecho clínico (mRS 0-3) foram de 45% e 41%, respectivamente, no follow-up em um ano (P = .33). Na análise de subgrupos, entretanto, a chance de bom desfecho clínico foi maior (10.5% em comparação com a média geral) nos 58% dos pacientes que foram submetidos ao protocolo de evacuação maior do hematoma, para volumes menores de 15 mL (P = 0.03).

Os pacientes com evacuação de mais de 70% do hematoma tiveram a probabilidade de um melhor desfecho funcional na análise multivariada (OR, 2.05; P = .025).

Vale a pena ler o paper. Embora tenha sido um estudo com resultado negativo, ou neutro, a terapia se mostrou segura, e pode beneficiar o subgrupo de pacientes com hematomas maiores, lembrando de se atingir bom percentual de hematoma drenado.

LINK.

Hanley et al. Efficacy and safety of minimally invasive surgery with thrombolysis in intracerebral haemorrhage evacuation (MISTIE III): a randomised, controlled, open-label, blinded endpoint phase 3 trial. Lancet 2019.

Salman et al. Minimally invasive surgery plus alteplase for intracerebral haemorrhage. Lancet 2019. Editorial.

Será??!?!?!?! Apple Watch 4 poderá detectar FA?

Por Maramélia Miranda e Felipe Barros **

Atualização em tempo real.

O evento da Apple hoje em Cupertino, na Califórnia, mostrou, além dos novos modelos de iPhones, a 4a. geração do Apple Watch, com a promessa de, já tendo sido certificado pelo FDA, detector fibrilação atrial, bradicardias e fazer um ECG…

Será? Holter de 365 dias?!

LINKS

Burns M. Apple Watch Series 4 can detect AFib and perform an ECG. www.techcrunch.com. Acessado em 12 set 2018. 

Warren T. Apple Watch Series 4 includes a bigger display and a built-in EKG scanner. In: The Verge.

Video do Youtube.com – Introducing Apple Watch Series 4

https://www.apple.com/br/apple-watch-series-4/

** Felipe Barros é neurologista clínico, pós-graduando em Neurologia Vascular na UNIFESP/EPM, fissurado, como eu e muitos de vocês, leitores, em tecnologia.

PS. Não sou applemaníaca, mas se isso se confirmar… Vai ficar difícil não usar…

WAKE-UP Trial: Publicado!

Estudo bem importante, o WAKE-UP – Efficacy and Safety of MRI-Based Thrombolysis in Wake-Up Stroke – avaliou pacientes com sintomas leves-moderados de AVCi, tempo de início dos sintomas desconhecido, e seleção por imagem com Ressonância Magnética.

O critério usado para a inclusão dos casos foi a presença de mismatch entre as sequências de difusão (DWI) e FLAIR (lesão com restrição à difusão e sem hiperintensidade no FLAIR), excluídos casos com oclusão arterial de grande vaso, e os tratamentos testados foram alteplase EV versus placebo. Os desfechos clínicos foram melhores no grupo ativo do que no placebo.

O estudo foi interompido pela parade de seu financiamento, não atingindo o n planejado de 800 pacientes, mas conseguiu randomizar pouco mais de 500 pacientes nos dois grupos de tratamento.

Foi positivo, mas com esta ressalva.

LINK

Thomalla et al, from WAKE-UP Investigators. MRI-Guided Thrombolysis for Stroke with Unknown Time of Onset. NEJM 2018.

Indicadores de qualidade e performance em AVCh

Atenção. Atualizem os IQs do seu serviço.

Para AVCh:

  1. Uso do ICH score na admissão
  2. Reversão de coagulopatia
  3. Profilaxia de TVP/TEV
  4. Admissão do paciente em UTI ou Unidade de AVC
  5. Screening para disfagia em 24h
  6. Avaliação de disfagia antes de alimentação VO
  7. Início de terapia antihipertensiva de longo-prazo
  8. Acesso à reabilitação
  9. Evitar uso de corticosteróides

LINK

Hemphill et al. Clinical Performance Measures for Adults Hospitalized With Intracerebral Hemorrhage: Performance Measures for Healthcare Professionals From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke 2018.

Trials apresentados hoje na ESOC 2018

Muitos trials.

Definitivamente, este congresso a cada ano se supera. Uma leva boa dos grandes estudos em andamento foi apresentada pela manhã em Gothemburg, com concomitantes publicações em algumas revistas médicas, a saber: 4 papers na NEJM, um na Nature, um na Lancet e outro na Lancet Neurology… Apenas.

Muita coisa. Interessantes e que podem mudar alguns aspectos da nossa prática do AVC. Abaixo, listo os principais.

LINKS

NAVIGATE-ESUS

— Paper na NEJM AQUI.

WAKE-UP

— Paper da NEJM AQUI.

POINT

— Paper na NEJM AQUI.

TICH-2. 

— paper TICH-2 na Lancet AQUI.

SETIN-HYPERTENSION

MEGASTROKE

CROMIS-2

— paper na Lancet Neurology AQUI.

TIA REGISTRY. Artigo da NEJM AQUI. 

Tenecteplase x alteplase: The battle begins!!!!

Publicado o estudo EXTENDED-IA TNK, na NEJM, que avaliou a não-inferioridade da tenecteplase (dose 0,25mg/kg, máxima dose 25mg) em relação à terapia trombolítica de primeira linha – a única até então, a alteplase (rTPA), na sua dose habitual e na janela de tempo normal (até 4,5h).

Estudo positivo para não-inferioridade e superioridade (p=0,002 e 0,03, respectivamente), com segurança (desfechos de sangramento) similares.

Agora a questão é a seguinte: Sendo a TNK melhor, sabemos que é mais cara…

Em breve, analisaremos aqui a custo-efetividade, a diferença de custo entre as duas drogas.

Hoje na nossa reunião semanal surgiu a dúvida: será que 25mg de TNK é muito mais caro que 2 frascos de rTPA (dose usualmente aberta para fazer a trombólise nos moldes que fazemos atualmente)?

Mais uma droga para evitar Resultado de imagem para emoji mão apontando…?

LINKS

Campbell et al. Tenecteplase versus Alteplase before Thrombectomy for Ischemic Stroke. NEJM 2018. 

Marijuana e Vasoconstricção Reversível: Há correlação?

Perguntinha e discussão muito legal hoje no ambulatório, com base em um caso levado pelos nossos fellows. Pode haver RCVS (síndrome da vasoconstricção cerebral reversível – sigla em inglês) por uso de maconha?

Poder, pode. Mas temos que saber que não é uma causa frequente. Outras substâncias (cocaína, vasoconstrictores, anfetaminas, triptanos, IRSS) são mais descritas como triggers da síndrome.

   >> TC crânio: HSA cortical típica de RCVS.

Lembrando: se o paciente tiver sintoma agudo de cefaleia em trovão, recorrente, súbita, intensa, inédita, junto com uma HSA cortical, ele praticamente leu o livro antes de vir conversar com você. Esta é a apresentação de uma RCVS típica.

LINKS

Ducros et al. The clinical and radiological spectrum of reversible cerebral vasoconstriction syndrome. A prospective series of 67 patients. Brain 2007.

Wagner et al. The Impact of Marijuana Legalization on Reversible Cerebral Vasoconstriction Syndrome. Neurology 2016. Poster apresentado no congresso da AAN em 2016.

Uhegwu et al. Marijuana induced Reversible Cerebral Vasoconstriction Syndrome. J Vasc Interv Neurology 2015.