Trombose da artéria basilar: Sintomas, tratamento e prognóstico

Tags: estenose basilar; estenose vertebrobasilar; insuficiência vertebrobasilar; aterosclerose basilar; estenose intracraniana; trombose de basilar

Por Maramélia Miranda, Neurologista vascular, CRM-SP 88.549, RQE 97.572**. Atualizado em Out/26. 

A artéria basilar é uma das vias de circulação sanguínea mais importantes do sistema nervoso central. Ela é responsável por irrigar estruturas vitais da região posterior do encéfalo, como o cerebelo, a ponte, o bulbo e o mesencéfalo.

Essas regiões controlam funções essenciais para a vida, incluindo a respiração, a regulação do ciclo de sono e vigília, o equilíbrio, a coordenação motora dos membros, além de diversos nervos cranianos encarregados da movimentação ocular, audição, fala e deglutição.

Quando ocorre o estreitamento ou bloqueio parcial desse vaso — condição conhecida como estenose da artéria basilar —, o suprimento de oxigênio para o cérebro fica comprometido, elevando significativamente o risco de um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi).

Causas e Fatores de Risco

A artéria basilar é formada pela junção das artérias vertebrais na base do crânio. O estreitamento ocorre, na maioria das vezes, devido ao acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) ou pela formação de coágulos na parede do vaso.

A condição apresenta grupos de maior risco:

  • Fator demográfico: É mais prevalente em homens durante a sexta e sétima décadas de vida.
  • Incidência populacional: Apresenta maior ocorrência em populações asiáticas e afrodescendentes.
  • Aterotrombose: Obstruções no terço médio da artéria geralmente indicam doença aterosclerótica local.
  • Origem cardíaca: Bloqueios nas extremidades da artéria (topo ou porção proximal) costumam derivar de êmbolos cardioembólicos.

Quadro Clínico: Sinais e Sintomas de Alerta

Uma característica marcante da estenose basilar é a ocorrência frequente de sintomas de alerta intermitentes semanas ou dias antes de um evento isquêmico agudo. Esses sinais costumam ser confundidos com quadros simples de labirintite.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Vertigem intensa: Acompanhada de tonturas, náuseas e vômitos.
  • Alterações visuais: Visão embaçada, visão dupla ou estrabismo súbito.
  • Déficits motores: Fraqueza unilateral no corpo e paralisia facial.
  • Dificuldade na fala: Articulação prejudicada ou fala empastada.
  • Desequilíbrio grave: Alterações súbitas na marcha e dificuldade para caminhar.
  • Cefaleia atípica: Dor de cabeça de padrão diferente do habitual.
  • Letargia: Sonolência súbita ou rebaixamento do nível de consciência.

Exames Necessários para o Diagnóstico

A investigação precoce de suspeitas de estenose ou oclusão da basilar baseia-se em exames de neuroimagem não invasivos, que garantem rapidez e precisão:

  • Tomografia e angiotomografia do crânio: Na fase aguda, diante de sintomas da circulação posterior – vertigem, desequilíbrio, problemas visuais, náusea e vômito, ou apenas sonolência e coma inexplicáveis, é imperativo fazer a pesquisa de AVCi com protocolos de AVC de fase aguda, para descartar a trombose da basilar.
  • Doppler Transcraniano: Exame de ultrassom que avalia a velocidade do fluxo sanguíneo na artéria basilar, oferecendo uma análise dinâmica da circulação.
  • Angiotomografia e Angioressonância Magnética: Métodos altamente precisos para mapear a anatomia dos vasos cerebrais, mensurar o grau de estenose e planejar o acompanhamento a longo prazo.
  • Angiografia Cerebral (Digital): Exame invasivo por cateterismo, reservado para casos específicos em que há necessidade de detalhamento cirúrgico ou intervenção endovascular.

Como É Feito o Tratamento?

O manejo terapêutico da estenose da artéria basilar varia conforme a fase clínica e a gravidade da oclusão:

1. Fase Aguda (AVC ou AIT)

  • Antiagregantes Plaquetários: O uso de medicamentos como aspirina e clopidogrel (isolados ou associados) é o padrão para prevenir novos eventos isquêmicos.
  • Anticoagulantes: Podem ser indicados em situações específicas de instabilidade ou episódios intermitentes de piora em crescendo.
  • Terapias de Recanalização (Trombólise e Trombectomia): Em casos de oclusão catastrófica com rebaixamento de consciência ou coma atendidos dentro das janelas terapêuticas de urgência, a trombólise endovenosa (com alteplase) ou a trombectomia mecânica podem ser vitais para tentar desobstruir a artéria.

2. Controle de Fatores de Risco

O controle rigoroso da hipertensão arterial, do diabetes e das dislipidemias (colesterol alto) é indispensável para estabilizar as placas ateroscleróticas e evitar a progressão da doença.

3. O Papel da Cirurgia (Angioplastia e Stent)

Embora muito debatida por pacientes e familiares, a colocação de stents ou a realização de angioplastia na artéria basilar ainda é considerada uma terapia de caráter restrito ou clínico-experimental, indicada fundamentalmente quando o tratamento médico otimizado falha e o paciente continua apresentando episódios recorrentes de isquemia.

Prognóstico

O prognóstico de um paciente com estenose da artéria basilar depende criticamente da localização da lesão, da presença de circulação colateral (redes alternativas de fluxo sanguíneo no cérebro) e da agilidade no diagnóstico precoce. A oclusão completa e repentina da basilar apresenta alta gravidade e risco iminente, reforçando a importância de buscar atendimento médico de emergência diante de sintomas neurológicos súbitos.

 

 

Tags: trombose da basilar, oclusão da basilar, artéria basilar entupida, sintomas de estenose basilar, AVC na artéria basilar, oclusão da basilar, tratamento para estenose basilar.

** Dra. Maramélia Miranda é neurologista com formação pela UNIFESP-EPM, especializada em AVC e Doppler Transcraniano, editora do blog iNeuro.com.br.

66 thoughts on “Trombose da artéria basilar: Sintomas, tratamento e prognóstico”

  1. Bom dia minha prima apresentou episodio de pressão arterial : 14/90mmhg sentiu vomito, dor de cabeça e de estomago foi atendida na UBS apos encaminhada para o hospital onde controlaram todos os sintomas mas no hospital apresentou visão dupla já no exame de TC não apareceu nada e também outros exames no qual foi diagnosticada com paralisa de beell e priose palpebral recebeu alta 3 dias apos encaminhada para fazer fisioterapia para paralisia de BEEL e priose palpebral e ir consultar o oftalmologista onde encaminhou para um neurologista onde encaminhou um exame de angiografia onde aparece trombose da artéria vertebral direita e Estenose no terço médio da artéria basilar diante do resultado do segundo exame qual seria melhor decisão parar as fisioterapia.
    Ela tem doenças de base como diabetes, hipertensão arterial, colesterol e sedentarismo.

  2. Boa tarde Dra maramelia.
    Tenho 39 anos e fiz no dia 07/12/2020 Angiografia no Hospital. E como resultado deu um Aneurisma na artéria basilar. A alguns dias, estou com muita dor de cabeça e não passa. O que pode ser?

  3. Boa Tarde
    Meu marido foi diagnosticado com artéria basilar tortuosa determinando impressão sobre o tronco (dolicobasilar). Gostaria de saber o que é isso? Se é grave?

  4. Bom dia, Dra. Maramelia!
    Lí seu artigo sobre Artéria Basilar e achei muito esclarecedor. Gostaria de saber se ainda está respondendo às perguntas deste canal. Fiz uma Ressonância Magnética Encefálica e apareceu:
    – Impressão de importante afilamento da porção distal da Artéria Basilar nas imagens pós-contraste, até sua bifurcação, estendendo-se por cerca de 9 mm, sem tradução no critério spin-echo.

    Hoje vou fazer uma ANGIORRESSONANCIA CEREBRAL.
    Caso esteja ainda respondendo à perguntas, farei na sequência. Obrigada!

  5. Yara, dependendo do tipo de AVC que sua mãe teve, da extensao da area de infarto, pode haver chance de desenvolvimento de sindrome de encarceramento (locked-in). Se isso for a evolução, é bastante dificil a recuperação. É muito dificil opinar sem ver as imagens, sem saber como ela está… Em qual cidade, qual hospital está internada?

  6. Boa tarde Dra, sou médica veterinária, minha mãe teve um avc de basilar na sexta dia 06/09, não foi feito o pronto atendimento com trombolitico, permaneceu em coma rebaixada por 2 dias, tratamento com antiplaquetarios, foi entubada, responde a alguns estímulos em alguns momentos e fala, tem memória transitória qdo acordada, foi feito apenas a angiotomo, o hospital em que se encontra não tem neuro, nem ressonância, estão querendo colocar ela em tratamento paliativo, relatam que não haverá evolução. Porém noto evolução do quadro todos os dias, o que posso fazer ainda? Recomenda transferência de hospital?

  7. Olá, Dra.
    Fiz uma ressonância angio arterial e venosa. Com diagnóstico de estenose segmentar. Como faço para agendar uma consulta com a senhora?

  8. Boa tarde
    O meu marido Sofreu um AVC agudo isquemico da artéria basilar.
    Fez paragem , reanimação caseira enquanto esperava pelo INEM que nos pareceu uma eternidade.
    Foi entubado e ventilado com dificuldade e foi para Santa Maria. Fez angioplastia da artéria por o Dr Gonçalo e….a Neurologia foi5* a Dra Mariana assim como todos os médicos não só com o doente ,mas também comigo.
    Muito humana.
    Passados 16 horas foi extubado ,não sabia o que lhe tinha acontecido, mas lúcido e no dia a seguir estava a andar . Ficou com a visão do OE afetado, como há um mês espero que recupere.
    Obrigada à equipe que acreditou ser possível ressuscitar para a vida.
    Tinha entrado com midriase fixa.
    Da equipa de oftalmologia já não posso dizer o mesmo, uma vez que o encaminharam para o Barreiro mesmo sabendo que lá não tinham meios e o doente queria ser tratado onde estava.
    A DRA INÊS ainda não deve saber que os doentes podem escolher onde querem ser tratados, desde que seja possível o seu tratamento.
    No Barreiro é que não é possível por falta de meios.

  9. Boa tarde fiz uma angiorressonancia e deu um discreto afilamento distal e terço médio, na artéria basilar…. devo me preocupar??
    Estou apavorada tem alguma resposta??
    Obrigada

  10. Bom dia, minha cunhada sofreu um avc e os medicos diagnosticaram a Sindrome do Encarceramento, porem 7 dias após o AVC ela tem apresentado levez movimentos nos pés, olhos, lingua e queixo.
    Estamos buscando uma segunda opinião medica, para verificar se há algum tratamento que possa nos dar uma chance, minima que seja.
    Tem algum tratamento que possa amenizar as lesões causadas na área motora dela. Ela ainda está na UTI.
    no laudo do exame que nos disponibilizaram diz que há focos de restrição disfuncional acometido quase completamente a ponte.
    a arteria basilar preenchida por conteúdo com sinal hiperintenso em T1, Hipointenso em T2.

  11. Tenho extenose na artéria basilar mas não sinto dor nenhuma na cabeça .só tontura é que eu sinto de vez em quando e fica por algumas horas.o remédio que eu uso é o ácido acetilsalicílico cardio tamponado 325 mg todo os dias mas está mais frequente as tonturas devo aumentar a dóze ou parar ?

  12. Olá
    Muito bom e esclarecedor este artigo. Tenho este problema, agora diagnosticado por exames. Muitos médicos insistiam em labirintite, cheguei a ter Avc isquemico cerebelar. Os sintomas sao como os descritos e agora pude entender o que acontece comigo. Obrigada

  13. Boa tarde!
    Meu nome é marcia tenho 46 anos, ja faz um tempinho que venho apresentando dores na regiao da nuca persistentes, estava tratando como torcicolo por noites mau dormidas, travesseiros, etc.
    Essas dores tem aumentado, mta dor de cabeça e algumas semanas aproximadamente 3 semanas atras, estou com embassamento de visão qdo vou ler .Estou preoculpada com isso e essas intercorrências…pode me ajudar?
    Grata;

  14. Boa tarde!
    Meu nome é marcia tenho 46 anos, ja faz um tempinho que venho apresentando dores na regiao da nuca persistentes, estava tratando como torcicolo por noites mau dormidas, travesseiros, etc.
    Essas dores tem aumentado, mta dor de cabeça e algumas semanas aproximadamente 3 semanas atras, estou com embassamento de visão qdo vou ler .Estou preoculpada com isso e essas intercorrências…pode me ajudar?
    Grata;

  15. Boa noite Doutora Maramelia!
    Em 2013 fui acometido por um infarto onde precisei de dois stents. Já em 2015, um AVC isquêmico que atingiu o lado direito do cérebro comprometendo o lado esquerdo do corpo. Agora, depois de um diagnóstico de Parkinson que se mostrou equivocado, um novo neurologista, após uma ressonância do cérebro, foi constatado estenose, provavelmente congênita, venosa com redução do fluxo sanguíneo. Foi aventada a possibilidade de stents para este problema. Ocorre que em seu artigo, a senhora questiona a eficiência deste método ou procedimento. A crítica também é válida para a questão venosa e não arterial?
    Márcio Costa – 55 anos.

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