Highlights do ESOC 2017: Parte 1

Pessoaallllllll!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Chego atrasadérrima, sem ter tido tempo de ter postado pra vocês anteriormente. Por favor, perdão!

esoc-logo

Foram muitos os trials apresentados na última ESOC – European Stroke Conference, que aconteceu na cidade (linda!) de Praga.

A seguir, listo os principais, com suas apresentações em PDF. Depois, em posts futuros, detalho os que achei mais importantes e que mudarão a nossa prática diária. Não postei o DAWN, que merece um post-zinho em separado… Já estou em preparação do mesmo.

Obs (Atualizado em 08 jun 2017)::: Os PDFs abaixo não estão completos, com apresentações reais do congresso, mas apenas com o escopo do estudo e resumo dos resultados em alguns deles…

 Anstroke – Comparação de anestesia geral vs sedação consciente em trombectomia. Trial publicado na Stroke AQUI.

 GOLIATH – Comparação de anestesia geral vs sedação consciente em trombectomia

 Gore-REDUCE – Fechamento de FOP vs tratamento médico. Positivo.

 CLOSE – idem (fechar ou não fechar FOP no AVCi criptogênico). Positivo…

 SPACE2 – Comparação de revascularização carotídea (endarterectomia ou angioplastia) vs tratamento clínico/médico

 TO-ACT – Terapia endovascular vs tratamento anticoagulante para Trombose Venosa Cerebral

 Nor-Test – Alteplase vs tenecteplase no AVCi agudo. Uhhhhhhhh!!!!!!!!!!!! Foi igual…

 Talos – Citalopran no AVCi

 Aster-ADAPT – Comparação de Stentriever com aspiração em trombectomia

MAVs: Revisão da NEJM e artigo da Neurology

Atenção aos que gostam do tema, ultimamente bem pouco polêmico por causa da controvérsia clínico-cirúrgica dos resultados do estudo ARUBA…

LINKS

Solomon e Connolly. Arteriovenous Malformations of the Brain. NEJM 2017.

Murthy et al. Outcomes after intracerebral hemorrhage from arteriovenous malformations. Neurology 2017.

Buis D. Favorable outcome in patients with intracranial hemorrhage due to ruptured brain AVM. Neurology 2017.  Editorial do estudo acima. Free.

Pregabalina na ciatica: PRECISE trial publicado

A pregabalina, conhecida droga para tratamento e controle da dor neuropática, já tinha no currículo alguns poucos estudos mostrando pouca ou nenhuma efetividade na radiculopatia lombosacral. Agora, um estudo controlado australiano, financiado pelo nosso conhecido Georges Institute, corrobora estes achados.

O PRECISE trial foi publicado em março deste ano na NEJM. Mostrou que a droga, aclamada por muitos, foi similar ao placebo (!!!!) no tratamento agudo e crônico da ciática, definida no trial como dor irradiada para um dos membros inferiores, abaixo do joelho, com padrão de acometimento radicular (dor em dermátomo, fraqueza muscular relacionada a raiz nervosa, deficit snsitivo, e/ou reflexo profundo diminuído).

O critério de inclusão no trial consistia em episódio de ciática de pelo menos 1 semana de duração, até o máximo de um ano, com dor de caráter moderado a intenso impedindo ou incapacitando o paciente para alguma atividade de vida diária.

Resultados

n=209 pacientes; poucos casos abandonaram o estudo.

Os escores de dor do membro inferior foram similares na semana 8 (3.7 x 3.1 nos grupos ativo – 95% CI, -0.2 a 1.2; P=0.19). e na semana 52 (3.4 x 3.0, 95% CI, −0.5 a 1.0; P=0.46), com maior taxa de eventos adversos (o sintoma principal foi tontura), óbvio, no grupo que usou pregabalina.

Músicas da semana

Pra quem gosta de dedilhar um violão de vez em quando… Algumas canções lindas abaixo…

Tentem essa – clássico da Amy Whinehouse em versão acústica perfeita!!!!!

Jason Mraz, que eu amo! Live High.

Make it mine, velhinha…. Mas muito massa!!!!!

E um hip-hop, meio rap, bem legal… Anderson Paak – Come Down.

NMO no Brasil e uma provocação

Nunca é demais ler sobre NMO.

Muito interessante o artigo original da Dra. Maria Cristina Del Negro, do Sarah de BSB, que descreve sua série clínica de NMO na revista Arquivos de Neuropsiquiatria deste mês, e inclui no seu artigo uma mini revisão, de relance (última tabela do artigo), com todos os casos publicados pelos demais autores especialistas da área no nosso país, de 2002 até hoje. A tabela é um retrato da doença e a evolução de como se conseguiu avançar nela (número de casos, investigação, percentual de sorologia disponível, etc…) aqui no país.

E tão interessante quanto o artigo original é o editorial, do Dr. Tarso Adoni, que lança a chama de se tentar criar um registro nacional, além de outras coisitas “mas”.

A despeito das dificuldades que enfrentamos, onde temos que, como médicos brasileiros, trabalhar em 3 ou mais lugares, para ganhar decentemente, pagar nossas contas, e ao mesmo tempo, ensinar, fazer pesquisa, estudar, atuar em hospitais públicos sucateados, sem verba adequada para cuidar dos doentes, sem verba em pesquisas… Sem remuneração adequada para os residentes, fellows e pesquisadores…

É preciso ter união, esquecer o glamour da academia, o orgulho, o medo de se perder, tentar esquecer os entraves que temos, tentar vencer estes obstáculos, e pensar que juntos, temos mais força. Isso vale para todas todas todas as sub-áreas da Neurologia. Não é fácil ter motivação diante do cenário que nos cerca. Mas seria interessante juntar as mentes, como dos neuros, dos professores, pegar o pessoal da TI, programadores, pessoas inovadoras, aqueles que puxam os pensadores-sonhadores para o chão – os chamados executores, pegar os empreendedores, e os filantropos-investidores (quem sabe?! acho que temos no nosso país o pessoal que tem a grana pra colocar nisso)… E tentar fazer a coisa acontecer.

Termino minha auto-terapia do dia, desabafando e filosofando a minha tristeza sobre toda essa situação acima descrita (ahhhh se houvesse fluoxetina ou o tal do Brintellix na veia…)… Bem, termino com uma frase incrível do Dr. Tarso Adoni no seu editorial:

“We must realize that now it is time to take a step further, moving beyond papers that repeat and confirm to exhaustion the clinical and epidemiological data of <NMOSD> “.

Essa frase é um código. Que tal escrevermos esse código???? Alguém aí disposto??????

Metformina: Vilã ou mocinha??????

Assim fica difícil. Depois de visto o abstract que tinha saído ano passado (paper ainda não publicado), e ter ficado bem feliz com os meus casos de DM tipo 2 usando metformina, na ilusão de estar protegendo seus cerebrosinhos de DA e Parkinson… Aí vem essa.

Okey… Primeiro… Em 2016…

Na conferência americana de Diabetes, um estudo com pacientes veteranos americanos mostrou que o uso de metformina foi protetor para aparecimento de DA, Parkinson e transtorno cognitivo leve, e o efeito foi tão maior quanto maior o tempo de uso da droga…

Vejam os números na coorte estudada de mais de 6 mil pacientes, lembrando que foi estudo retrospectivo:

” (…)  the rates of neurodegenerative disease by cohort were 2.08 cases per 100 person-years for those who received no metformin treatment, 2.47 per 100 person-years for those treated with metformin for less than 1 year, 1.61 per 100 person-years for those treated 1-2 years, 1.30 per 100 person-years for those treated 2-4 years, and 0.49 person-years for those treated 4 years or more. The longer patients took metformin, the less likely they were to develop neurodegenerative disease.”

Agora…

Agora?! Ferrou mesmo!!! O estudo atual incluiu 9300 casos de diabéticos tipo 2, acompanhados por 12 anos. Problema: população de Taiwan. Outro problema: não explicitaram o controle do DM na população. E outro que o paper também não foi publicado. Mas o fato é que a pesquisadora principal encontrou um risco de DP e DA mais do que o dobro nos que usavam metformina…

 

LINKS

Qian S et al. The Effect of Metformin Exposure on Neurodegenerative Disease among Elder Adult Veterans with Diabetes Mellitus. ADA 2016.

Brauser D. Metformin Use Linked to Increased Dementia, Parkinson’s Risk in Patients With Diabetes. AD/PD 2017. Fonte: Medscape 2016.

DAWN Trial: Interrompido precocemente!!!

A Stryker, produtora do stentriever Trevo, anunciou a interrupção do DAWN.

Ou foi positivo demais, ou foi negativo. aposto na primeira hipótese.

Vamos ver no que deu, no congresso europeu, daqui a 2 meses, em Praga.

O que é o DAWN Trial?

Estudo multicêntrico e internacional com o intuito de comparar o tratamento com trombectomia (usando device Trevo) + terapia médica vs terapia médica isolada, em casos de AVCi com oclusão arterial aguda e tempo de início dos sintomas de 6 a 24h (incluídos aí pacientes do tipo wake-up stroke ou pacientes que chegavam tardiamente à emergência).

Opa! Olha o SOCRATES aí mostrando o ar da graça…

Ho ho ho… Vejam só o que os pesquisadores do SOCRATES estavam guardando na manga… Depois de um estudo negativo, aquele discursinho insosso, deprimido, sem nenhuma empolgação, que foi a apresentação deles no congresso americano do ano passado, e, claro, guardadas as devidas proporções por serem dados de uma análise post-hoc, até que não é pra se jogar fora o que foi publicado na Lancet este mês.

Resultado de imagem para athero catorid

Análise de subgrupo de pacientes do estudo SOCRATES, que comparou aspirina e ticagrelor nos pacientes com AVCi, pegaram os que tinham aterosclerose carotídea ipsilateral ao AVC índice, e encontraram o grupo com Ticagrelor com menos eventos de desfechos combinados do que o grupo tratado com aspirina (6,7 vs 9,6%)… HR 0·68 [95% CI 0·53–0·88]; p=0·003.

Bem. Fishing or not fishing, it is a number!!! Acho que devemos considerar.

E vocês? O que acham??? Ainda não li o artigo. Vamos atrás disso.

LINKS

Amarenco et al. Efficacy and safety of ticagrelor versus aspirin in acute stroke or transient ischaemic attack of atherosclerotic origin: a subgroup analysis of SOCRATES, a randomised, double-blind, controlled trial. Lancet 2017.